Governo do Distrito Federal
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10/06/21 às 14h23 - Atualizado em 11/06/21 às 18h23

É fato, não é fake!

Projeto de pesquisa contra covid que inclui coleta de sangue é real e conta com apoio do GDF

 

 

Nos últimos dias, a imprensa local revelou que pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) têm encontrado dificuldade com a desinformação para realizar levantamento sobre o impacto de doenças tropicais e da covid-19 nas cidades Estrutural e Santa Luzia. O estudo tem como objetivo realizar inquéritos soroepidemiológicos, por meio da coleta de sangue da população, para entender e conseguir mapear a predominância de anticorpos contra o novo coronavírus, o Sarampo e as variantes da Dengue, Chikungunya e Zika.

 

A situação foi registrada pelo Metrópoles que revelou que os pesquisadores foram confundidos com golpistas pela comunidade. Na sequência o Jornal de Brasília também noticiou a situação e indicou que as informações falsas afirmavam que a coleta de sangue e de dados pessoais, parte do estudo, seriam utilizadas para fins criminosos.

 

No Facebook, um grupo da comunidade da Estrutural discutiu sobre a autenticidade do estudo após a publicação de um vídeo que mostra um dos pesquisadores explicando a metodologia do levantamento. Em nota de esclarecimento na publicação da rede social, a coordenação do projeto “Infecções virais emergentes e cobertura vacinal no Distrito Federal” tentou explicar a pesquisa, mas não teve interações ou respostas da comunidade. “É importante ressaltar que o Projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Medicina da UnB sob o parecer número 4.495.474”, destacou a organização no comentário.

 

Por conta da baixa participação da população depois das informações falsas espalhadas, esta etapa da pesquisa, iniciada no dia 27 de junho, pausou as atividades dois dias depois, e permanece temporariamente suspensa. Reuniões com os líderes comunitários da Estrutural e Santa Luzia estão sendo realizadas para um novo esclarecimento a respeito da pesquisa e conscientização da população para viabilizar o retorno das atividades. A equipe já participou de duas duas reuniões do Comitê de Segurança da Estrutural, a convite do presidente do colegiado, nas quais apresentaram o projeto novamente à comunidade e esclareceram dúvidas.

 

Nesta quinta-feira (9/6), o coordenador do projeto e duas integrantes da equipe foram ao gabinete do secretário de Atendimento à Comunidade, Severino Cajazeiras de Sousa Oliveira, para apresentar o projeto. De acordo com Wildo Navegantes, o secretário compreendeu a pesquisa e não teve objeções. Agora,  a equipe vai verificar a aceitação da população após a retomada das atividades, que tem previsão para acontecer em duas semanas.

 

O projeto e o apoio do GDF

 

O apoio do Governo do Distrito Federal (GDF) acontece por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), que fomenta a pesquisa “Validação de métodos para diagnóstico e estimativas de prevalência pela infecção por SARSCoV2 em três populações no Distrito Federal”. O projeto foi selecionado no âmbito do Convênio 03/2020, que conta com orçamento global de R$ 30 milhões para o apoio a projetos e ações de pesquisa, inovação e extensão destinadas ao combate do Covid-19.

 

O estudo integra a estratégia do projeto “Infecções virais emergentes e cobertura vacinal no Distrito Federal”, coordenado e acompanhado pelos professores pesquisadores Wildo Navegantes de Araújo e Walter Ramalho Pinheiro, do grupo de pesquisa ZARICS (Zika, Arboviroses e outros Estudos de Coorte de Infecções), do Núcleo de Medicina Tropical da UnB.

 

Wildo Navegantes é também o coordenador do projeto apoiado pela FAPDF e explica que essa parte do estudo foi organizada em quatro grandes etapas:

 

Verificação da eficiência dos testes rápidos: consiste na validação do método de testagem rápida. “O nosso objetivo é validar os testes rápidos quanto a sua eficiência e possibilidade de uso nos inquéritos. Os testes rápidos foram testados em amostras clínicas de pessoas que já foram infectadas e possuem diagnóstico confirmado pelo Lacen-DF por meio de PCR, bem como com amostras sabidamente negativas para a avaliação da acurácia do teste. “Testes rápidos de antígeno comerciais funcionam, e para participantes da pesquisa com sintomas já sabemos que ele consegue discriminar quase perfeitamente (99,3%) quem não tem a doença, assim como acerta em 75%, e ainda continuam os estudos para outras marcas”, informa o pesquisador.

 

Monitoramento de profissionais de saúde: Os testes rápidos foram ofertados aos profissionais de saúde que atuam no enfrentamento da doença, principalmente nos hospitais, onde cada um deles pode receber pelo menos três testes para monitorar sua condição de saúde. O objetivo foi identificar a velocidade de transmissão entre os profissionais da saúde, possibilitando um diagnóstico rápido quanto a sua saúde ocupacional.

 

Inquérito epidemiológico em áreas de vulnerabilidade social: realização de pesquisa com populações em situação de extrema vulnerabilidade, com previsão de início pela Cidade Estrutural. Serão selecionadas entre duas e três mil residências nas quais o morador será selecionado para responder a um questionário e fazer um exame rápido. O intuito é identificar como está o nível de infecção e propagação nessas localidades, cujas populações dependem em 100% do SUS em caso de adoecimento. Esta é a fase iniciada este mês e que está suspensa, em virtude do impacto negativo das falsas notícias. Wildo Navegantes comenta que além de áreas em vulnerabilidade social, grupos populacionais vulneráveis, como a população privada de liberdade, foram alvo também deste estudo: “em parceria com o Hospital Universitário de Brasília e o Ministério da Saúde, identificamos que mais de 80% daquela população tinha sido infectada pelo SARS-CoV-2”. 

 

Equipe do projeto analisa questionários respondidos pela população | Foto: Equipe do ZARICS/NMT/UnB

Inquérito epidemiológico amplo no DF: nesta fase, objetivo é estabelecer estimativa de propagação da doença no DF, à semelhança do que já foi feito no Rio Grande do Sul. Será feita uma seleção aleatória de 50 localidades, chamadas de setores censitários e, em cada setor, serão sorteadas 10 residências onde serão feitos exames e entrevistas com moradores que durmam, no mínimo, de 3 a 5 vezes por semana naquele domicílio. Se o morador escolhido testar positivo para Covid-19, serão feitos testes em todos os moradores da residência. Isso oferecerá duas importantes estimativas: a proporção de pessoas infectadas em cada residência e a estimativa de pessoas no [WA1] DF. A proposta é repetir essa etapa de duas a três vezes, realizando a testagem e as entrevistas em residências vizinhas para identificar se houve transmissão comunitária e atualizar a estimativa de infecção no DF como um todo. Essa fase oferecerá importantes informações: a velocidade de transmissão da doença e incidência de casos novos; prevalência da doença: se muitas pessoas já foram infectadas e se, portanto, já temos imunidade de rebanho, possibilitando melhor gestão dos leitos voltados para o atendimento de infectados e casos graves. Justamente no desenvolvimento desta etapa a equipe foi vítima de fakenews, por isso esta etapa ainda será realizada.

 

O pesquisador destaca a importância do projeto para auxiliar no enfrentamento da Covid-19 e de outras emergências epidemiológicas que atingem a população. “É importante destacar que, de acordo com a própria SES-DF, ampliar a capacidade de diagnóstico é essencial. O órgão destaca a importância da testagem maciça na população do Distrito Federal para o novo coronavírus, e não apenas dos casos graves, considerando o respaldo na experiência internacional de enfrentamento”, afirma Wildo Navegantes. 

 

A bolsista de pós-doutorado em Medicina Tropical, Ana Tereza Teixeira, que participa da pesquisa, também ressaltou a relevância do estudo para que as desigualdades no acesso à saúde sejam mais claras, estabelecendo assim uma relação entre as doenças e a qualidade de vida da população. “Andando na comunidade de Santa Luzia, por exemplo, temos notícias de pessoas que morreram de dengue, mas sem resultados específicos. Lá não tem água, não tem saneamento básico, então é muito vulnerável e como benefício [da pesquisa] teríamos informações verdadeiras e sérias do que está acontecendo com essas pessoas. Elas nem Cadastro de Endereçamento Postal (CEP) têm para fazer cadastro no SUS – usam o geral da Estrutural para não ficar sem”.

 

Assim como todos os projetos contratados no âmbito do Convênio 03/2020 da FAPDF, o andamento dessa pesquisa também pode ser acompanhado pela página de transparência do convênio: https://www.finatec.org.br/transparencia-fapdf/

 

Como funciona a coleta

 

Equipe de coleta do projeto Zarics | Foto: Equipe do ZARICS/NMT/UnB

A dinâmica nas residências sorteadas é sempre com dois pesquisadores, além do motorista que os leva até as casas e não sai do carro. Nos locais, a dupla de especialistas está identificada com um crachá com nome e função no estudo, uma camiseta branca com a logo da ZARICS na parte da frente e as logos do SUS, FAPDF, UnB, NMT e EBSERH na parte de trás.

 

Antes de cada abordagem, a equipe leva consigo um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) de duas vias, por meio do qual o projeto pode assegurar o sigilo de todas as informações fornecidas por voluntários, como também garantir que nenhuma colaboração foi forçada. Com o consentimento do cidadão, os dados de identificação (nome, idade, CPF, etc.), sociodemográficos (renda familiar, eletrodomésticos, acesso a saneamento básico, etc), e clínicos sobre se houve contaminação recente com um dos vírus pesquisados são repassadas para uma central sigilosa da UnB.

 

Amostras não revelam dados pessoais de doadores | Foto: Equipe do ZARICS/NMT/UnB

Para garantir a privacidade e a segurança dos voluntários, todo nome é substituído por um código numérico, não sendo possível identificar de quem são as amostras colhidas. Todos os materiais utilizados pelos pesquisadores são esterilizados e descartáveis, abertos na frente do participante em casa e são descartados após o uso – como seringas, luvas e lacres. As coletas de sangue são de aproximadamente 6 ml, retiradas diretamente das veias, e colocadas dentro de dois frascos de armazenamento.

 

Depois de colhido, o material é transportado para o Hospital Universitário de Brasília (HUB) para a triagem sanguínea e o início das testagens para detecção de anticorpos para os tipos virais procurados pela pesquisa. Cada amostra é separada com códigos, uma vez que o objetivo final é ter uma amostragem geral quantitativa para estabelecer um parâmetro de comparação em relação às outras cidades.

 

O projeto prevê visitação em 1.100 residências na Estrutural e em Santa Luzia, seguindo para as regiões de Ceilândia, Águas Claras e Plano Piloto. Para tirar dúvidas e saber mais sobre as atividades de pesquisa, entre em contato pelos seguintes canais:

⇒ Dúvidas e esclarecimentos sobre a pesquisa e especialistas pelos telefones (61) 3107-0185 ou (61) 3107-0051 e pelo e-mail projetocovidzarics@gmail.com 

⇒ Página do projeto no Instagram: @covidzarics

⇒ Site do projeto Zarics: www.zarics.unb.br 

 

*Com informações do Metrópoles, do Jornal de Brasília e da UnB

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