Governo do Distrito Federal
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13/08/20 às 17h47 - Atualizado em 14/08/20 às 14h56

Terapia com plasma

Foto: André Nicola

Avaliar o potencial de combate à Covid-19 do plasma retirado do sangue de pacientes já recuperados da doença. Esse é a intenção do pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) André Moraes Nicola e sua equipe, que contam com fomento da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-DF), por meio da Fundação de apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) para desenvolver o projeto intitulado “Anticorpos no Diagnóstico e Terapia da Covid-19: estudo clínico e translacional com pacientes convalescentes no Distrito Federal”.

 

Médico e professor da Faculdade de Medicina da UnB, ele lidera a equipe que irá testar a hipótese de que os anticorpos encontrados no plasma de pacientes já curados possam ser utilizados para o tratamento de pacientes moderados da Covid-19, evitando que eles evoluam para a forma grave da doença. “O que nós esperamos é que o plasma vai diminuir a proporção dessas pessoas com a Covid-19 moderada que vão progredir para formas mais graves. Caso essa hipótese se confirme, esse tratamento pode ser muito importante tanto para o paciente que recebe o plasma, como para os sistemas de saúde, pois se há menos pessoas precisando de ventiladores e vagas de UTI, o sistema como um todo funciona melhor e consegue ajudar um número maior de pacientes”, explica André Nicola.

 

Metodologia – O objetivo primário do ensaio clínico é testar a eficácia do plasma de convalescentes na terapia da Covid-19 moderada, mas a equipe também pretende gerar anticorpos contra o SARS-CoV-2 a partir de amostras obtidas de pacientes.

 

Para conseguir desenvolver um estudo dessa magnitude e complexidade, além do investimento da SECTI/FAPDF, o pesquisador conta com a parceria de outras instituições: Hospital Universitário de Brasília (HUB), Fundação Hemocentro e Secretaria de Estado da Saúde (SES-DF), por meio do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF).

 

A atuação integrada dessas instituições é essencial para contemplar todas as etapas da metodologia da pesquisa. “O estudo começa com uma primeira etapa em que a gente busca candidato, pessoas que tiveram a doença, sobreviveram e estão curados há pelo menos 14 dias. Essas pessoas passam por entrevistas, exames pra saber se será seguro pra elas e para o receptor e, caso passem, o Hemocentro faz a plasmaférese (processo de separação do sangue em plasma e elementos celulares). As bolsas ficam no Hemocentro aguardando até que o HRAN faça a remoção. Quando uma pessoa se interna lá com Covid-19 moderada, ou seja, com sintomas, mas não em estado grave, ela passa a ser elegível para participar do estudo, caso aceite”, explica o coordenador do projeto.

 

Células produtoras de anticorpos (Foto: Verenice Paredes)

 

O estudo será desenvolvido com dois grupos: um de pacientes tratados com plasma e o outro eixo composto por pessoas que vão receber exatamente o mesmo atendimento só que sem o plasma. A expectativa é inserir 100 pessoas em cada um dos dois grupos e acompanha-las durante toda a internação para saber se o plasma vai ser efetivo como tratamento. A pesquisa já está em andamento e conta com seis pacientes em cada um dos dois grupos. O cronograma do projeto prevê um período de um ano para a conclusão.

 

O investimento da SECTI/FAPDF no projeto foi de R$ 768.100,00, concedidos no âmbito do Convênio 03/2020, que conta com orçamento global de R$ 30 milhões para apoiar projetos e ações de pesquisa, inovação e extensão destinadas ao combate do Covid-19.

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