Governo do Distrito Federal
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31/03/21 às 18h55 - Atualizado em 1/04/21 às 18h34

Variante britânica

Pesquisadores apoiados pela FAPDF confirmam circulação da cepa no DF

 

Desde janeiro de 2021, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e servidores do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) firmaram uma parceria na pesquisa e execução de novos protocolos de sequenciamento de genomas de SARS-COV-2.

 

O projeto, que conta com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), busca realizar o monitoramento genômico do Sars-CoV-2 circulantes no Distrito Federal para subsidiar as ações de vigilância e combate da pandemia do novo coronavírus. 

 

Relatório parcial apresentado pela equipe de estudiosos revelou que, durante a primeira quinzena do mês de março de 2021, amostras coletadas nos meses de janeiro e fevereiro foram selecionadas de acordo com alguns critérios estabelecidos pela equipe: (i) CTs discordantes entre os diferentes alvos, (ii) suspeita de reinfecção, (iii) pacientes provenientes de Manaus, (iv) óbitos e (v) pacientes escolhidos aleatoriamente dentre as amostras positivas da semana. 

 

Todas as amostras foram extraídas e amplificadas e sequenciadas nas dependências do Lacen-DF e do Instituto de Biologia (IB) da UnB. Ao todo foram sequenciados 44 genomas com a plataforma MinION. Os dados gerados foram analisados com o objetivo de identificar mutações genômicas e linhagens dos vírus. A variante mais abundante foi a variante P.1 (20J/501Y.V3), detectada em 24 amostras, enquanto a variante P.2 foi detectada em 15 amostras. A linhagem B.1.1.7 (20I/501Y.V1), popularmente conhecida como variante inglesa, foi detectada em uma amostra coletada no final do mês de fevereiro. As linhagens B.1.1.28 e B.1.1.143 também foram encontradas em quatro e uma amostras, respectivamente. Todas as sequências geradas serão submetidas ao banco de dados GISAID (www.gisaid.org).

 

“A variante britânica ascende uma luz amarela, apesar da as variantes P1 e P2 terem sido identificadas em maior número. Essa variante já foi descrita como mais transmissível que o mutante. O paciente que se infectou com a variante inglesa se contaminou no DF, mostrando que ela está circulando e pode assumir um papel importante no processo infectivo do SARS-CoV-2″, explica a coordenadora do projeto, Anamélia Lorenzetti.

 

Ela destaca a importância de seguir monitorando a evolução das variantes para determinar a adaptação e a prevalência delas na população infectada, permitindo a tomada de decisões baseada em evidências pelo sistema de saúde.

 

Bergmann Morais Ribeiro, um dos pesquisadores atuantes no projeto, também ressalta a necessidade do monitoramento de variantes. “Saber que a variante da inglaterra está circulando em Brasília e no Brasil é preocupante, pois já foi demonstrado que é mais transmissível e capaz de causar uma doença mais grave. Desta forma, o monitoramento constante das variantes circulantes pode mostrar qual variante está predominando, alertar as autoridades competentes e subsidiar medidas de contingenciamento”, afirmou o professor.

 

Para a diretora do Lacen-DF, a pesquisa de monitoramento genético do vírus é essencial para rastrear o comportamento infeccioso nas diferentes áreas do DF. “Os resultados de sequenciamento permitem conhecer as rotas de circulação do vírus, através da identificação de diferentes variantes e linhagens de transmissão, ou seja, localidades em que o vírus está circulando em maior quantidade, em diferentes regiões geográficas ou até mesmo bairros, e então saber onde é preciso intervir de maneira mais intensiva com diferentes medidas, como o isolamento social e outras medidas não farmacológicas”, explica Grasiela Araújo.

 

A diretora explica ainda que “as amostras sequenciadas no Lacen-DF têm seus resultados apresentados em relatórios e repassados à Diretoria de Vigilância Epidemiológica assim que as análises são concluídas, assim é possível realizar a investigação epidemiológica dos casos e monitorar os pacientes e os seus contatos”.

 

O projeto – A pesquisa foi contemplada pela FAPDF no âmbito do Convênio 03/2020, voltado para o apoio de projetos e ações de pesquisa, inovação e extensão destinadas ao combate do Covid-19 e recebeu R$ 897.700,00.

 

Intitulado “Diversidade genômica de coronavírus associada à indução de memória imunológica de curta e média duração: uma estratégia para a produção de vacinas eficientes e de amplo espectro”, o projeto é coordenado pelos professores Anamélia Lorenzetti e Renato Rezende. 

 

Além do fomento da Fundação, os pesquisadores também contam com apoio financeiro da da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES-MEC) e da Rede Corona-ômica BR (MCTIC/Finep).

 

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